Futebol e Mulheres – Parte I

Reproduzo a seguir na íntegra coluna da jornalista Soninha Francine escrita a convite do Lance! na coluna Espaço Aberto

NÃO É POR SER MULHER

Todo mês de março – e não só nele – me perguntam: “Você já sofreu algum tipo de preconceito por ser mulher e comentarista de futebol?”

Claro que sim. E, até certo ponto, o preconceito, enquanto “conceito prévio”, é compreensível. Futebol historicamente é uma cultura masculina em quase todo mundo. Isso não quer dizer que mulheres não tenham gostado de futebol desde sempre, mas fomos e ainda somos minoria neste universo. E, quando a gente se acostuma a um padrão, estranha tudo que foge dele.

Então, é natural que olhem para uma mulher comentarista e estranhem: “Ué, sera´que ela entende mesmo?”. Até porque muitas vezes mulheres foram convidadas para programas de futebol apenas como um atrativo a mais para o público masculino – e não para discutir futebol com esse público.

Mas, daí em diante, a coisa se complica, quando a pessoa se agarra ao preconceito e não larga dele de jeito nenhum. Quando, antes mesmo de ouvir, o espectador tem certeza: “É claro que ela não entende”. Quando resolve ouvir mas, no momento em que escuta alguma coisa de que discorda, confirma: “Tá vendo? Só podia ser mulher pra falar essa bobagem”

É possível que eu tenha falado minhas bobagens, ou é impossível que eu nunca tenho falado alguma – como todo mundo, suponho, homem ou mulher.. mas qunado um homem desagrada o leitor ou ouvinte, leva a bronca sozinho: “ Esse cara é uma besta“!. No nosso caso, todo o genero feminino paga o pato: “Mulher não serve pra isso! “

E há preconceitos ainda mais resistentes. Quando eu digo algo que faz sentido, que agrada o interlocutor, e ele desdenha: “Ela só repete o que os outros falam“. Ou como aconteceu quando um colega vereador elogiou, a seu modo, minha coluna no jornal: “Gostei muito. Mas é voce mesma que escreve? “

Pois é, o pé atrás é tamanho que existe até elogio preconceituoso. Quantas vezes ouvi: “Ela é mulher. Mas essa entende de futebol“.

Só que essa conversa, tenho certeza, não vai durar muito tempo. Como aconteceu em outras áreas logo haverá tantas mulheres trabalhando como esportistas ou jornalistas esportivas que o tema “mulheres no futebol“ deixará de ser assunto para o debate, e acharemos até engraçado lembrar que um dia foi motivo de polemica.

Escolheremos nossos comentaristas favoritos (ou mais detestados) sem levar minimamente em conta se tem cromossomo XX ou XY. E então, se eu disser uma besteira, serei só eu a besta, e não as mulheres todas.

2 Comentários

Arquivado em Na Geral

2 respostas para Futebol e Mulheres – Parte I

  1. izalala

    Muito legal!
    Preconceito hj em dia não tá com nada…

  2. Manualves

    Adoreeeei!
    Ja senti esse preconceito na pele, e que mulher que gosta de futebol nao?!
    E assim como ela acredito que em breve isso será coisa do passado!
    Parabens Tiaron pelo escolha do artigo!=)

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